Meu peito pegando fogo esfria minha alma lentamente, a angustia de respirar este ar poluído de emoções falsas me deixa doente, tento me livrar desta sensação subindo o mais alto que posso, passo pelos corredores derrubando quadros e lagrimas afiadas como facas que vão espetando o chão, chego no telhado e a visão do alto convida a uma queda livre, sinto vontade de pular para não subir outra vez Penso como seria o som do impacto ao chão, o que vai acontecer quando chegar la embaixo? como é a luz no caminho do outro lado ? Será que tenho dinheiro para pagar ao barqueiro que leva para a outra margem? verifico o bolso, conto as moedas, começa a vir na mente um filme do futuro, vejo pessoas passando vendo um corpo frágil no chão cercado de vermelho, alguns olham pra cima outros ignoram o coitado estendido como tapete de urso no chão frio, muitos passam e o chamam de fraco, outros os elogiam pela coragem esses querem fazer o mesmo mas não conseguem, outros sentem pena...